Imagem Gera Sentimento - Por Amanda Souza
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AS DUAS VERSÕES QUE EU DEIXEI PARA TRÁS
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Quando ele me perguntou isso, eu percebi que não era uma versão. Eram duas.

A primeira é a Amanda do ambiente corporativo. Eu era muito nova, muito imatura, e levava absolutamente tudo a ferro e fogo. Tudo era urgente, tudo era pessoal, tudo era definitivo. Eu aprendi muito naquele período e não tenho nada contra ele, mas eu era profundamente insegura, e boa parte daquela rigidez toda era só insegurança usando roupa de competência.

Aliás, tem até uma história minha sobre roupa desse tempo que eu ainda vou contar aqui, porque ela explica bem como eu me sentia.

A segunda versão é mais difícil, e é a que eu levei mais tempo para nomear.

É a versão da mãe que achava que tinha que dar conta de tudo. Aquela que não podia chorar, não podia pedir ajuda, tinha que se virar sozinha, sempre, em qualquer circunstância. Aquela que se cobrava por qualquer sinal de cansaço, como se cansaço fosse falha de caráter.

Essa segunda me custou muito mais caro que a primeira, porque a primeira era sobre trabalho e a segunda era sobre todo o resto.

Agora, tem uma coisa que eu preciso dizer com clareza, porque ela é o ponto principal deste episódio: eu não deixei nenhuma das duas para trás com raiva.

Isso me parece importante, porque a gente vive num tempo em que virou moda falar da versão antiga da gente com desprezo, como se aquela pessoa tivesse sido burra, ingênua, ou tivesse perdido tempo. Não foi. Eu disse obrigada para as duas, e disse de verdade, porque as duas me trouxeram até aqui e nenhuma delas foi um erro. Elas foram exatamente o que precisava ser naquele momento da minha vida, com as informações e com as forças que eu tinha.

O problema nunca é a versão que você foi. O problema é continuar sendo ela depois que o motivo já passou.

A mulher que endureceu porque precisava se proteger de alguma coisa fez o que tinha que fazer. Mas se aquilo de que ela precisava se proteger acabou há cinco anos e a dureza continua ali, aí já não é proteção, virou hábito.

E se você está me ouvindo e não consegue identificar qual versão sua é essa, eu te dou um caminho prático: começa pelo armário. Ele guarda as versões antigas da gente com uma honestidade que a memória não tem. A memória suaviza, a memória reorganiza, a memória conta a história do jeito que dói menos. O armário não faz nada disso. Ele só mostra o que você comprava quando era outra pessoa.

Então desapega. A próxima versão é sempre melhor, por mais desafiadora que ela pareça de longe.

Se você chegou até aqui e pensou numa versão sua, me conta lá no Instagram qual foi. E se você tem uma amiga que ainda está carregando uma versão que já cumpriu o papel dela, manda esse episódio. Um beijo, e até o próximo.

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